*
"Lisboa Mistura" debate Cidadania e Nacionalidade
21-06-2015 CML/CH

"Os imigrantes em Lisboa são muito poucos, precisávamos de muitos mais”, afirmou João Afonso, vereador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa. Mas não basta dizer às pessoas para vir, temos de investir na criação de melhores condições para as receber, acautelou.

João Afonso participava num debate subordinado ao tema “A cidadania não tem nacionalidade”, que teve lugar no Intendente, o “bairro mais multicultural de Lisboa”.

A Casa dos Amigos do Minho recebeu, neste dia 20 de junho, penúltimo dia de primavera, a visita de um grupo de cidadãos preocupados e empenhados em procurar soluções para algumas das questões mais prementes que se colocam diariamente, quer a refugiados quer a imigrantes, que hoje vivem em Lisboa.

“Olhar de frente para o espelho e ver o futuro atrás de nós com outros olhos e compreender como podemos ser melhores cidadãos num mundo em rápidas mudanças”, foi o desafio lançado por Carlos Martins, diretor artístico do Lisboa Mistura, numa sessão aberta ao público.

O debate, que contou ainda com a presença de Mama­dou Ba (pre­si­dente do Movi­mento SOS Racismo) e João Vas­con­ce­los (Con­se­lho Por­tu­guês para os Refu­gi­a­dos), pretendeu sobretudo trazer para a agenda política a questão da “participação política dos imigrantes”, como defendeu Mama­dou Ba. Não podemos ter “uma democracia em que uns votam e outros não”, sublinhou o ativista.

A cidadania não tem nacionalidade mas em muitos casos a nacionalidade também não tem cidadania, alertou João Vas­con­ce­los, numa alusão ao drama dos refugiados, para os quais, considerou, “não há hoje uma solução duradoura”. Portugal está, desde há vários anos, “distante de assumir a sua quota parte” na missão de receber os refugiados. Quando se coloca a possibilidade de Portugal receber cerca de 2 mil refugiados, este membro do Con­se­lho Por­tu­guês para os Refu­gi­a­dos, aponta o exemplo da Turquia, que acolhe cerca de 1,4 milhões de refugiados da Síria.