Conciliar a vida profissional e familiar
Dia do Pai inédito na Câmara Municipal de Lisboa
19-03-2015 AR
Cinema São Jorge, quinta-feira (19 de Março) às 15h00

No dia dedicado a todos os Pais, a Câmara Municipal de Lisboa resolveu assumir a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional como objectivo para uma maior igualdade dentro das famílias e na sociedade em geral. Numa acção simbólica, o Município concederá aos pais licença para usarem parte da tarde de quinta-feira para uma sessão especial do festival de cinema de animação Monstra, acompanhados pelos seus filhos e filhas, no Cinema São Jorge, às 15h00.
Num universo profissional cada vez mais exigente, torna-se mais difícil fazer a conciliação entre as necessidades de resposta laboral e as responsabilidades acrescidas pela família, especialmente quando as crianças são mais pequenas. Mas este é um desafio importante para muitos agregados e para todos nós, particularmente se dermos atenção aos dados estatísticos sobre a natalidade.

Consciente desta realidade, e dentro do seu plano de acção no domínio dos Direitos Sociais, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu lançar esta iniciativa inédita, alargada a todos os seus trabalhadores com crianças, que pretende mostrar como a relação mais harmoniosa entre os domínios profissionais e familiares é uma vantagem para todos.

O momento vai ser aproveitado também para continuar uma campanha já apresentada no Conselho Municipal para a Igualdade, que teve lugar no dia 9 passado, por ocasião do Dia Internacional das Mulheres, apelando à necessidade de uma maior partilha de responsabilidades parentais e domésticas no seio das famílias.

«É indubitável, como vimos, que a entrada massiva das mulheres em esferas tradicionalmente masculinas (nomeadamente, o sistema de ensino e o mercado de trabalho) constitui uma linha mestra das mudanças que, desde os anos 60, começaram a atravessar a sociedade portuguesa, atirando as mulheres para fora da família. Contudo, a progressiva “conquista” feminina da esfera pública não se tem reflectido nem em igualdade de oportunidades e recompensas, nem numa idêntica entrada dos homens no domínio provado. Aí, elas continuam a ter a primazia, apesar, é certo, de uma crescente participação masculina nos labores da produção doméstica e parental.» As investigações mais recentes «mostram sobretudo que a desigualdade entre homens e mulheres resiste no espaço doméstico. Apesar de não ser negligenciável, pelo menos em parte significativa dos casos, a participação do homem nas lides da casa e nos cuidados aos filhos fica ainda longe de um cenário igualitário. Se, aliás, compararmos o número de horas que homens e mulheres dedicam às actividades domésticas em Portugal e noutros países europeus, verificamos que no nosso país grassa uma evidente desigualdade de género, apontando para a permanência de traços de género tradicionais, não obstante o elevado número de mulheres a trabalhar profissionalmente a tempo inteiro.»

Wall, Aboim e Cunha, (2010), “A vida familiar no masculino: negociando velhas e novas masculinidades”, Lisboa, Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego