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Lisboa quer melhores acessos aos transportes públicos
30-01-2015 CH/CML

A "Acessibilidade aos Transportes Públicos", foi tema de uma conferência organizada dia 29 de janeiro, pela Câmara Municipal de Lisboa, que reuniu nos Paços do Concelho representantes dos principais operadores de transportes da capital, organizações de deficientes e técnicos da autarquia. João Afonso, vereador dos Direitos Sociais, e Pedro Homem Gouveia, coordenador da equipa do Plano de Acessibilidade Pedonal, conduziram os trabalhos que contou com a presença, entre outros, de José Maia do controlo operacional e planeamento de rede da Carris, e Diogo Martins, programador informático e representante do Movimento (d)Eficientes Indignados. Veja o video

Numa cidade com 2056 paragens de autocarros - segundo dados da Carris - e em que cerca de 12% não reúnem condições para instalação de um abrigo, a intervenção na melhoria das condições proporcionadas aos passageiros é "fundamental", considerou João Afonso.
Para o vereador, o trabalho que a autarquia vem desenvolvendo, nomeadamente a definição do Plano de Acessibilidade Pedonal, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal de Lisboa, é para continuar, apesar das dificuldades resultantes da situação que o país vive.
Um trabalho, enquadrado na visão de António Costa sobre o sistema de transportes de Lisboa, que deve ser "reinventado, garantindo que qualquer pessoa se possa deslocar em pelo menos 2 modos alternativos, de qualquer lugar para qualquer lugar, com liberdade, segurança, conforto, rapidez, de forma sustentável e energeticamente eficiente, sem depender de viatura própria".
Em Lisboa, cerca de 20% da população tem alguma incapacidade na sua mobilidade, salientou Pedro Homem Gouveia, que defendeu uma intervenção profunda na cidade, quer ao nível da acessibilidade aos transportes públicos, quer ao nível das acessibilidades pedonais, facilitando as deslocações dos residentes mas também dos turistas que nos visitam, dos quais "cerca de 92% descobrem a cidade a pé".
Diogo Martins, especialista em programação, e particularmente vocacionado para as questões da acessibilidade nos transportes públicos, apresentou a realidade de cidades europeias como Barcelona e Berlim, defendendo a importância de uma maior articulação e comunicação entre as entidades com responsabilidades na área.
Para o representante do Movimento (d)Eficientes Indignados, apesar do "atraso português em termos da criação de grupos de trabalho", a cidade deve caminhar para criar condições em que todos possam usar os transportes sem constrangimentos.
Dos trabalhos, fica a visão generalizada, à escala do modelo de cidade preconizado há alguns anos por Enrique Peñalosa, antigo presidente do município de Bogotá, Colômbia: "Uma boa cidade não é aquela onde os pobres andam de carro, mas sim aquela onde até os mais ricos usam o transporte público".