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Rede Social quer que sem-abrigo deixem de receber refeições nas ruas
11-04-2012 JH, LUSA

A Rede Social de Lisboa quer que os sem-abrigo deixem de comer nas ruas, propondo a criação de refeitórios para distribuição de alimentos, num plano que pretende que nenhuma pessoa fique mais de 24 horas sem alojamento.
Leia mais, clique no titulo e veja AQUI a Estratégia Integrada para as Pessoas Sem Abrigo em Lisboa

A estratégia integrada para as pessoas sem-abrigo em Lisboa, hoje apresentada em reunião privada da câmara da capital pela vereadora do Desenvolvimento Social, Helena Roseta, propõe a constituição de uma rede de refeitórios que “implicará abandonar a distribuição de alimentos na rua, sem quaisquer condições de dignidade e higiene”.

Estes espaços, que numa primeira fase apenas irão servir jantares, serão instalados nas “zonas de maior concentração de pessoas sem-abrigo”, segundo o documento, a que a Lusa teve acesso.
A criação de uma unidade de atendimento com funcionamento permanente para “garantir que ninguém tenha de permanecer na rua por mais de 24 horas” é outra medida proposta no plano.
Esta unidade deverá ainda “assegurar um único registo de informação de todas as pessoas sem-abrigo” e atribuir, a cada pessoa, um “gestor de caso”.

O plano foi “consensualizado na comissão tripartida da Rede Social de Lisboa”, composta pela câmara, pela Segurança Social Distrital, pela Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e cerca de 200 instituições que atuam no apoio aos sem-abrigo.
Com a criação do núcleo de planeamento e intervenção sem-abrigo, previsto na proposta, todas estas entidades passarão a trabalhar em conjunto, partilhando as suas bases de dados e realizando “um trabalho personalizado e sem sobreposições junto de cada pessoa sem-abrigo”.

Helena Roseta está convicta de que “há recursos humanos suficientes a trabalhar nesta área”, defendendo que falta uma melhor articulação entre as entidades. O objetivo é que cada técnico passe a acompanhar cerca de uma dezena de pessoas.
Esta colaboração permitirá também apurar o número real de sem-abrigo que existem em Lisboa – hoje estima-se que sejam entre 700 a 800 pessoas que dormem nas ruas. Segundo Helena Roseta, o perfil dos novos sem-abrigo tem mudado, devido aos efeitos da crise: “Hoje aparecem mais jovens e mais estrangeiros”.

Lisboa tem atualmente seis centros de alojamento para sem-abrigo, disponibilizando 472 camas permanentes e 70 para emergências. O município financia três destes espaços, num esforço anual de cerca de 700 mil euros, “o que não é nada barato”.

No plano, Helena Roseta alerta para a necessidade de requalificar o centro de alojamento temporário do Beato (com 271 camas), reduzindo a sua capacidade, e o espaço dos albergues noturnos, abrindo a ala encerrada para manter a capacidade atual, de 55 camas permanentes e 24 de emergência.
A proposta pretende ainda diversificar o tipo de oferta de camas, nomeadamente com habitações individualizadas, por exemplo, em fogos municipais.